sábado, 2 de fevereiro de 2013

Jovem que se salvou pondo cabeça no freezer deixa UTI



A funcionária da boate Kiss Ingrid Preigschadt Goldani, de 21 anos, que se salvou após pôr a cabeça no freezer, deixou a UTI do Hospital Nossa Senhora da Conceição, em Porto Alegre.

Estudante do 3º ano de Enfermagem na Universidade Federal de Santa Maria, ela trabalhava atrás do balcão do bar e só percebeu o incêndio quando a fumaça já havia se alastrado. Por conhecer o local, sabia onde ficava a saída. Encheu então os pulmões de ar no freezer, pôs a camiseta na boca, fechou os olhos e pulou o balcão. Mas caiu e foi pisoteada. Ajudada por desconhecidos, foi levada para fora.

Seu irmão, Fábio, também estava na Kiss, mas, perto da porta, escapou sem ferimento. "Graças a Deus e ao rapaz que a ajudou a sair daquele inferno. Meu eterno agradecimento a você", disse a mãe, Eliete Goldan, no Facebook.

Entenda

O incêndio com mais mortes nos últimos 50 anos no Brasil causou comoção nacional e grande repercussão internacional. Em poucos minutos, mais de 230 pessoas - na maioria jovens - morreram na boate Kiss de Santa Maria - cidade universitária de 261 mil habitantes na região central do Rio Grande do Sul.

A tragédia começou às 2h30 de domingo, 27, quando um músico acendeu um sinalizador para dar início ao show pirotécnico da banda Gurizada Fandangueira. No momento, cerca de 2 mil pessoas acompanhavam a festa organizada por estudantes do primeiro ano das faculdades de Tecnologia de Alimentos, Agronomia, Medicina Veterinária, Zootecnia, Tecnologia em Agronegócio e Pedagogia da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). A maioria das vítimas, porém, não foi atingida pelas chamas - 90% morreram asfixiadas.

Sem porta de emergência nem sinalização, muitas pessoas em pânico e no escuro não conseguiram achar a única saída existente na boate. Com a fumaça, várias morreram perto do banheiro. Na rua estreita, o escoamento do público foi difícil. Bombeiros e voluntários quebraram as paredes externas da boate para aumentar a passagem. Mas, ao tentarem entrar, tiveram de abrir caminho no meio dos corpos para chegar às pessoas que ainda estavam agonizando. Muitos celulares tocavam ao mesmo tempo- eram pais e amigos em busca de informações.

Como o Instituto Médico-Legal não comportava, os corpos foram levados a um ginásio da cidade, onde parentes desesperados passaram o dia fazendo reconhecimento. Lá também foi realizado o velório coletivo.

Em entrevista à Radio Estadão na manhã da última quinta-feira, 31, o governador do Rio Grande do Sul Tarso Genro disse que a Prefeitura não deveria ter concedido alvará para a casa noturna.

"Mesmo que (a boate) estivesse dentro de normas legais de engenharia, qualquer leigo olharia aquele local e não daria alvará. Não tinha portas laterais, era uma espécie de alçapão, uma estrutura predatória da vida humana. E era visível que a casa estava preparada para receber mais gente do que o autorizado, cerca de 600 pessoas", afirmou Genro.

O governador disse, ainda, que a Prefeitura deveria ter lacrado a boate em agosto, quando venceu o alvará dado pelo Corpo de Bombeiros. "Mesmo que o documento esteja em análise, a casa deveria estar fechada até o documento sair." / WAGNER MACHADO, ESPECIAL PARA O ESTADO

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